Um país com a cara do poder

A derrocada institucional brasileira, perceptível para boa parcela da população, agora é avaliada em sua real dimensão. Estudo da do Instituto para Democracia e Assistência Eleitoral – Idea, na sigla em inglês, aponta o Brasil como o país que mais retrocedeu democraticamente no último ano.

De acordo com o relatório Estado Global a democracia 2021, elaborado pela organização e divulgado na última segunda (22), o retrocesso se dá por conta da (indigente) gestão da pandemia, denúncias por escândalos de corrupção, ameaças às instituições e protestos antidemocráticos.

Por essa avaliação o Brasil se alinha ao time das democracias em declínio, como Índia, Polônia, Hungria, Eslovênia e Filipinas. É verdade que a democracia brasileira vem ladeira abaixo desde 2016, mas é no governo Bolsonaro em que o país alcança o top 5 da ruína democrática.

A tendência é mundial. Segundo o estudo, um quarto de toda a população mundial vive sob democracias em retrocesso. E, se somadas aos regimes autoritários, essa fração subiria para quase 3/4. O número de países em ascensão autoritária supera o de regimes em transição para a democracia.

O Brasil vive no momento atentados em escala às instituições. As PECs casuísticas promovidas pelo governo em consórcio com o Centrão, contra as instâncias do Judiciário, são a parte mais visível, assim como orçamentos secretos e outras mumunhas mais com alto poder de corrosão.

Os ataques apontam contra as diversas áreas da administração – saúde, educação, direitos humanos. Mas a artilharia negacionista de Bolsonaro bota pra quebrar mesmo no meio ambiente, hoje alvo de verdadeiras atrocidades, cometidas das mais variadas formas, seja pela contaminação da água e do subsolo, pela devastação da floresta e do aniquilamento da gente que nela habita.

Agente laranja

Agora mesmo ficamos sabendo que para desmatar grandes áreas, e com mais rapidez ampliar fronteiras do agronegócio, fazendeiros despejam toneladas de agrotóxicos sobre a Floresta Amazônica e outros biomas. Segundo levantamento de A Pública e Repórter Brasil, na última década nada menos que 30 mil hectares foram assim dizimados.

O estado mais afetado é disparado o Mato Gross, seguido por Amazonas, e, em menor escala, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Como já lembrado, o expediente hediondo é o mesmo utilizado pelas forças norte-americanas na Guerra do Vietnam, que despejavam o agente laranja para devastar a floresta e desentocar o exército inimigo.

Mais de meio século depois, crianças vietnamitas nascem com anomalias congênitas. E, caso não saibam, um dos agrotóxicos utilizados na composição do agente laranja americano é o mesmo na do veneno encontrado para dizimar a floresta amazônica.

Uma monstruosidade para qualquer padrão moral ou ético. Na terra de Jair, porém, algo digerido como mais uma aberração, já que parece aceitável negar água a indígenas ou deixar suas crianças morrer de inanição ou malária. E assim temos um país como a cara do poder, como quer o capitão do mato.

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