Tornados, enchentes e o flagelo nosso de cada dia

Pontes e barragens rompidas, estradas destroçadas, gente desabrigada e dezenas de mortes. Além, é claro, de um prejuízo incalculável. Esse é o saldo das tempestades que atingiram o sul da Bahia e o norte de Minas Gerais. É a pior catástrofe registrada pelo menos nas últimas três décadas. Até esta quinta-feira (16) 27 municípios mineiros haviam decretado estado de em4ergência

Cidades inteiramente devastadas em seis estados depois da passagem de sucessivos tornados pela região sudeste dos Estados Unidos. Uma tragédia com grau de destruição sem precedentes já registradas na série de eventos climáticos e meteorológicos extremos norte-americanos. Pelo menos um desses fenômenos varreu cerca de 400 quilômetros continente adentro proveniente do Golfo do México.

Um aspecto comum aos eventos registrados tanto lá como cá chama atenção: a quebra da sazonalidade. Enchentes devastadoras normalmente estão associadas ao verão, assim tem sido historicamente. São as águas de março fechando a estação.

Nos Estados Unidos a onda de tornados nesta época do ano (quase início de inverno no hemisfério norte) é certamente atípica, pois ocorrem com frequência em meados do ano, entre maio e junho, quando as condições climáticas são mais favoráveis para tais eventos.

A questão: esses fenômenos fora do tempo estariam associados efeitos do aquecimento global? A ciência não crava isso. Pesquisadores rejeitam a associação até que se tenha um modelo confiável de averiguação.

Estudos recentes, porém, indicam que a cada elevação de 1°C verificada, na média, nos Estados Unidos, a possibilidade de ocorrência de tempestades rigorosas aumentava de 14 a 25 vezes. Outra pesquisa apontava que tornados poderiam se tornar ainda mais virulentos em futuras condições climáticas. 

E ainda que não se possa demonstrar cientificamente, a relação entre aquecimento global e as recentes catástrofes, é certo que a própria ciência vem alertando há pelo menos uma década sobre o recrudescimento de eventos extremos.

Os efeitos são ainda potencializados em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, como o nosso, já acossado pela fome, pelo desemprego, pelo desmatamento crescente que só faz agravar ainda mais o tenebroso quadro de tempos bolsonaristas. 

Bolsonaro esteve lá na Bahia em sobrevoo pelas áreas afetadas para fazer o que sua competência e falta de empatia permitem: nada. Aproveitou para fazer campanha e agredir o bom senso e a imprensa com a ajuda de seus cães de guarda.

Não é só a reação da natureza que nos aflige. Está aí o princípio e a razão de nosso flagelo.

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