A ideia de nação de Bolsonaro e seus fardados

A força-tarefa produzida por Ibama, Polícia Federal, marinha e Aeronáutica para reprimir o garimpo ilegal no Rio Madeira, dias atrás, teve o efeito da pirotecnia e o esforço próprio de enxugar gelo.

Saldo da operação: cerca de 60 balsas queimadas, não mais que 10% das 600 que formavam a chamada Vila do Ouro. E um preso, entre os estimados 1800 forasteiros que lá desembarcaram.

A ação até parece fazer crer que o movimento garimpeiro foi algo que brotou espontaneamente e pegou as forças de segurança de surpresa. E que o política oficial  bolsonarista não incentiva a prática que já se disseminou pela Amazônia.

Um estudo feito em 2019 por pesquisadores da Unesp em parceria com a Universidade Queensland University of Technology, já apontavam alta concentração de mercúrio no Madeira. A maior carga do metal foi encontrada nos sedimentos no fundo dos lagos, justamente pelo acúmulo do minério ao longo dos anos.

Segundo outra pesquisa da UFMG, só no período 2019-20 forame extraídas ilegalmente cerca de 50 toneladas de ouro de Terras Indígenas e Unidades de Conservação. De toda a extração acumulada, 90% eram provenientes da Amazônia.

O garimpo não causa só a degradação ambiental. Com ela advém o esgarçamento social, cujas maiores vítimas são as os ribeirinhos, majoritariamente os indígenas.

O mercúrio, utilizado para extração do ouro, contamina tudo ao redor, o ar, o solo, a flora, e ao sedimentar-se nos rios, contamina a base da cadeia alimentar, numa espiral de efeitos irreversíveis sobe essas populações. Há uma série de relatos sobre as doenças neurológicas relacionadas à toxidade de metais como o mercúrio sobre os povos indígenas. As crianças são as mais afetadas e os seus efeitos são irreversíveis.

Nada disso parece preocupar os donos do poder. Neste final de semana somos informados pela Folha que o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional e secretário-executivo do Conselho de Defesa Nacional, liberou para prospecção de ouro em áreas da Amazônia, justamente para empresários com áreas sob embargo do Ibama.

São sete projetos liberados na localidade de São Gabriel da Cachoeira, região localizada na fronteira do Brasil com a Colômbia e a Venezuela e conhecida como Cabeça de Cachorro. De acordo com o relato, ali vivem 23 etnias indígenas e representa umas áreas mais preservadas da Amazônia.

Essa é noção de segurança e preservação do patrimônio de Bolsonaro e sua gente fardada. Essa é a ideia que eles têm de nação.   

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